Há algum tempo atrás, fui convidado a projetar um salão de beleza voltado para o público infantil. A idéia, que já me pareceu divertida no momento da proposta, ficou ainda mais interessante quando ouvi a seguinte frase do cliente: Você tem carta branca para criar! 
Como? Jura? Será que eu ouvi direito? Sim, eu estava mais feliz do que criança abrindo presente de aniversário. 
A única exigência era que o ambiente tivesse uma atmosfera lúdica e agradável para os pequenos clientes (o que, diga-se de passagem, não pareceu exigência nenhuma 🙂
Meu maior desafio na verdade foi o tempo curto para executar o projeto. Hoje quando olho para o salão finalizado, tenho a impressão de que sonhei com aquele mundo encantado de cores, formas e desenhos, de tão rápido que foi. Parece que a inspiração foi um sopro que veio de dentro, lembranças guardadas na memória que esperavam o momento de vir à tona. Essas referências foram traduzidas nas paredes, na marcenaria, no papel de parede colado no teto, nos brinquedos… 
Vamos passear por esse espaço-fofura e ainda aproveitar umas dicas bacanas? 
Namoradeira customizada pela artista Estelita Ferreira.
   
   

Se você quiser fazer um projeto infantil, seja ele para uma brinquedoteca, o quarto do seu filho ou qualquer outro espaço voltado para baixinhos, o segredo é soltar a imaginação e deixar as fórmulas prontas de lado. Projetar para o universo infantil é voltar a ser criança! 

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E aí, curtiu? Então aproveite pra tirar várias idéias pro quarto dos pimpolhos ou quem sabe, pro seu também. ♥
Fotos Salão da Turminha: Pé Direito Duplo


 
Um belo dia o telefone tocou e do outro lado da linha estava a primeira cliente do meu escritório, para a qual havia projetado uma reforma na sala de estar no início dos anos 2000. Na época ela estava de mudança para um novo apê e me deu a tarefa de fazer um projeto e o gerenciamento da obra. Ela precisava mudar-se em 30 dias. 
Recordo-me que em apenas um feriado o projeto foi feito!
Decidimos aproveitar tudo que era possível: Os móveis herdados, os quadros, adornos, e principalmente, os elementos estruturais do apartamento – o banheiro com estilo anos 90, as portas com frisos e o piso de tacos de peroba. 
Tons de roxo e rosa foram a base para toda essa transformação, digamos assim, de baixo custo. Todas as portas, rodapés e alisares foram pintados num tom de lilás acinzentado para combinar com as paredes, agora rosadas. 
E muito melhor do que ter ousado nas cores nesta reforma, foi encontrar uma cliente disposta a aceitar a proposta. É uma sensação muito gratificante ver um morador feliz e satisfeito por ter acreditado que a decoração, assim como a vida, é feita de mudanças. Que venham sempre as mudanças e suas novas cores!
Vamos comigo dar uma voltinha por esse apê-colorê? 🙂
Uma solução super bacana utilizada na reforma foi pintar uma faixa no alto das paredes com a mesma cor do teto para simular uma sanca, como foi feito na sala de estar.
 
Adesivos comprados pela internet (super baratos) proporcionaram um clima descontraído dentro de uma decoração mais clássica!
 
   
Tinta é um excelente recurso para dar uma cara nova na decoração sem gastar muito. O corredor da casa é uma explosão de rosa, com direito a tinta até no teto.
 
Olha que tom de lilás lindo as portas ganharam. A área seca do banheiro foi pintada de azul petróleo escondendo o revestimento danificado.
Outro toque de tinta foi dado na parede do quarto com faixas em tons degradê.
Somente a cozinha foi colocada a baixo, ganhando novos revestimentos, bancadas e uma inusitada surpresa: Armários em fórmica violeta!

E aí? Gostou? Então abra as portas da sua casa para o novo,
sempre!
“Eu quero uma decoração descolada e com baixo custo”! 
 
Esse é o tipo de frase que não sai da boca da maioria dos meus clientes. E vamos combinar, está mais do que provado que para decorar nem sempre precisamos de muito dinheiro… Precisamos é de boas ideias!

Neste post mostrarei um exemplo clássico sobre isso: A decoração de uma sala de estar que foi totalmente repaginada gastando bem pouco e aproveitando quase tudo que ela já possuía. O “pulo do gato” foi dar cara nova ao ambiente apenas incrementando o espaço com quadros, prateleiras, almofadas, livros e arranjos. Vamos dar uma olhada?
 

 
O sofá bacanérrimo com almofadas soltas em tecido cru (no estilo Roche Bobois) e a mesa de demolição já existiam, assim como o papel de parede vermelho na sala de jantar, todos escolhidos pela moradora. Essa (feliz) mistura do vermelho com a madeira do móvel, me fez eleger o azul claro para a cor das paredes e o cinza chumbo para as portas, criando uma atmosfera contemporânea e ao mesmo tempo aconchegante para o ambiente

A partir desta base clara, pequenos toques de cores vibrantes foram adicionados a decoração com o uso das almofadas, livros e adornos. Vermelho, violeta e laranja são as cores que predominam nos detalhes. Uma tática bacana para gastar pouco e ter uma luminária exclusiva é executar a base do objeto em um serralheiro e comprar a cúpula separada em lojas de departamento como a Tok&Stok, por exemplo. Fica barato, fácil de fazer e dá um clima intimista ao ambiente.
 
Sem dúvida, a grande atração da sala é o armário de escritório antigo que foi revestido com papel de parede e teve seus pés palito pintados de vermelho pela moradora. Também customizada por ela, a mesinha da tv ganhou tinta na cor violeta e ficou renovada. A prateleira acima da TV foi comprada em loja de material de construção. Economia na certa!

 

E ai, gostou do resultado? Acha que a sua casa também está precisando de novos ares? Então pegue essas dicas simples e mãos a obra! 

Projeto e Fotos: Pé Direito Duplo

E quando o apê é alugado… Como decorar sem gastar muito já que estamos (provavelmente) de passagem? Essa é a primeira pergunta a ser feita quando queremos dar uma repaginada na nossa casa alugada gastando o menos possível.
Existem algumas dicas valiosas embora acredite que a mais importante delas seja optar por móveis soltos e que possam ser reaproveitados num futuro imóvel. Por outro lado, é possível usar e abusar das tintas, porque pintar paredes ainda é um recurso bem mais barato do que todos os outros que a gente vê por aí. Móveis antigos e customizados por você (ou por um profissional especializado) também trazem uma pitada de bossa a decoração. Pense sempre em reutilizar aquilo que você já tem!

Abaixo você vai ver um bom exemplo de um quarto “alugado” que ficou descolado para combinar com seu dono, um jovem cantor capixaba:

 
Este quarto era escuro e com paredes revestidas de tijolinho aparente, elemento que pesava ainda mais o ambiente e que o cliente detestava. Como o cômodo é utilizado como espaço para dormir, trabalhar, ensaiar e fazer pesquisas, o layout do quarto também precisou ser repensado. 
Para trazer mais luz para o quarto, retalhos de papel de parede foram colados num painel de mdf que foi instalado na parede para “camuflar” os tais tijolinhos. No novo layout, a cama ficou encostada na parede e agora serve também como sofá para receber amigos. 
Incrementei ainda mais a decoração optando por obras de artistas capixabas, como o grafite de Liza Tancredi, quadros com desenhos de galos de Kael Kasabian e a cadeira customizada com madeira de demolição e folha de ouro por Estelita Ferreira. Outros detalhes também chamam a atenção como as placas de trânsito, as luminárias de mesa, livros e instrumentos musicais do morador.

Para entender melhor as mudanças propostas para esse quarto e ajudar a te inspirar na revolução do seu “lar de aluguel”, coloquei essa reportagem do Tribuna Notícias do Espírito Santo aqui pra você. Assista o comecinho do vídeo e depois avance direto para 14 min. de exibição. (Você não precisa assistir o jornal todo né? 🙂

Espero que tenham gostado das dicas, um beijo a todos e até próxima! Já estava com saudades de pintar por aqui!

Fotos: Pé Direito Duplo

De uns cinco anos pra cá, o kitsch se tornou um hit nos ambientes criados por mim para meus clientes mais descolados. Associado à cultura de massa, esse termo de origem alemã, é usado para categorizar objetos de valor estético distorcidos e/ou exagerados, considerados inferiores e menos elaborados do que suas cópias existentes. Na decoração, o estilo kitsch pode estar bem representado por flores artificiais, bibelôs, jarras e copos de plástico, assim como os fakes de pele de onça, estampas e crochês que remetem à casa da vovó, ou aquele pano de prato pintado à mão.

Em alguns projetos, costumo inserir elementos kitsch para dar um ar irreverente e inusitado à casa do morador. Vejam algumas pitadas nos projetos abaixo:

Repare nos galos na parede, no porquinho dourado e no flamingo :-O

 

Sala de estar com criado-mudo em forma de garçom 🙂

Piso de carpete vermelho e cadeiras estilo Luis XV coloridas
Papel de parede que parece papel de presente, quadro da Santa Ceia e cadeiras douradas
Poltrona de balanço no living

Vamos saber um pouco sobre os princípios da estética Kitsch?

Princípio de Inadequação: É caracterizado por um desvio de relação entre a forma e a função do objeto. Pode ser em tamanho (abridores de garrafa gigantes), falsificação de materiais (flores de plástico), estilos/contextos (anjos barrocos de gesso, para estantes) figurações em objetos utilitários (pêra de cristal, como baleiro).

Principio de Acumulação: Objetos diversos sem um sentido, que possuem valor emocional e de baixo custo, que vão sendo acumulados sem uma unidade de adequação. (enfeites de geladeira, cerâmicas, bibelôs).

Percepção Sinestésica: O maior uso dos sentidos para impressionar o espectador, imagem, som, aromas (cartões de namorados perfumados, caixinha de música com bailarina etc.).

 Principio de Mediocridade: Com tantos artifícios, inadequação, acumulação, percepção sinestésica, o kitsch chega próximo do vulgar, mas essa mediocridade facilita a absorção do consumidor. Nada é feio ou belo, e se fossem, fugiriam do intuito do kitsch.

Principio de Conforto: O que não cria problemas agrada; enche a vida da sociedade de consumo de sensações, emoções e pequenos prazeres (objetos cotidianos).

O kitsch está em todas as classes sociais; é um elemento de nivelação social e histórico, consumido indiscriminadamente por todos. Independente das diferentes possibilidades de status que o objeto kitsch possa suscitar, agrupa-se em categorias: religioso (terços saturados de imagens), sexual (calendários e canetas com mulheres nuas), exótico (paisagens havaianas ou indianas de fundo), doce (anões de jardim), amargo (cobras, esqueletos de plástico fluorescentes), político (insígnia de partidos políticos em chaveiros) e também as combinações entre estas.

Basicamente, o kitsch é a materialização da falta de estilo, normalmente associada ao brega e ao mau gosto. Ele está em todas as áreas do mundo civilizado, das artes aos meios de comunicação. E está longe de se restringir a objetos baratos e populares. O kitsch tem alguns princípios que o tornam facilmente identificável.

Mas também se podem reconhecer traços do kitsch por outras características marcantes: 

Linhas: são sempre curvas e complexas; as superfícies são exaustivamente adornadas (atulhamento total, não há espaços vazios).
Cores: são vivas e contrastantes, normalmente em tons degradês e com efeitos especiais, sombras, texturas e relevos (o pôr-do-sol em ilustrações é um ícone kitsch).

Materiais: imitam outros materiais (fórmicas que imitam madeira, plásticos que imitam metal, pedras que imitam diamantes, pinturas que imitam material envelhecido, acrílico que imita vidro).
Dimensões: as dimensões são sempre exageradas (miniaturas de monumentos, insetos gigantes, maquetes usadas como enfeite, objetos de Itu).

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Ai meu pai… Depois de analisar esse tal de kitsch assim, tintim por tintim, eu chego a conclusão que sou kitsch mesmo… com tudo que tenho direito! Ser Kitsch na decoração (e até mesmo na vida, porque não?) é ser eclético, atual, único e feliz. Quer coisa melhor do que isso?

Quer ver amostras bem bacanas dessa estética? Entre aqui e aqui.  E você? Tem algum objeto em casa que se encaixa nessa salada-kitsch toda? Conta ai vai!

  
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Bem-vindos de volta meus queridos! Começa hoje a Temporada 2012 do meu, do seu, do nosso, Decorviva. E nada melhor do que começar o ano com o Pé Direito Duplo, né? 🙂 Vamos que vamos! Beijos mil, Vivi.

Imagine uma sala de estar, um quarto ou até mesmo uma cozinha com o teto amarelo, preto ou vermelho? Conseguiu imaginar? Gosta de inovar? Então você é dos meus!

Uma boa sacada para uma decoração inusitada é colorir o teto da casa. Isso mesmo. Dá para transformar um ambiente fazendo um teto diferenciado além de não precisar gastar com rebaixamento de gesso etc.

Eu e minha sócia, Katherline Torezani Colodetti, temos esse costume de colorir além das paredes e também já pintamos os tetos de vários clientes.

A cor no teto é uma tática fácil de modificar significativamente um ambiente sem fazer o cliente gastar muito. Basta uma lata de tinta látex e a vontade de ter o espaço renovado. Na edição de 2011 da Casa Cor ES, a Garagem criada por nós chamou bastante atenção com o teto rosa solferino.

 
A escolha da cor do teto deve seguir o desejo do cliente e devemos também pensar na forma em que ela vai impactar o espaço. Em residências, quando o espaço é bem iluminado, podemos abusar de cores vibrantes, como nesta cozinha pintada de amarelo gema (Foto 1), ou uma cobertura com teto vermelho queimado e cinza grafite (Foto 2). Para o teto do quarto infantil escolhemos o azul marinho (Foto 3).

Foto 1
Foto 2
Foto 3
Ambientes com clima mais intimista podem ter os tetos pintados com cores mais aconchegantes e saturadas. Nas fotos 4 e 5 uma cozinha verde do teto aos armários. Uma boa opção para home theaters é pintar o teto com um tom bem escuro (Foto 6).

Foto 4
Foto 5
Foto 6
Ambientes comerciais também podem abusar de cores no teto para valorizar a decoração e destacar o produto ou serviço que eles oferecem. Nesta lanchonete, cuja temática é futebol, o teto foi pintado com o mesmo amarelo da camisa da seleção canarinho (Foto 7). 
Foto 7
Já esta chocolateria tem o teto azul turquesa, contrastando com o mobiliário de brechó e valorizando ainda mais os produtos expostos (Foto 8). 
Foto 8
E para finalizar, o preto. Chique, básico e impactante, vem sendo usado há muito tempo na decoração de espaços comerciais. Neste escritório a cor foi escolhida para dar a idéia de teto mais alto e dar destaque as obras de arte na parede de tom claro (Fotos 9 e 10). 
Foto 9
Foto 10
A cor pode ser um elemento bastante importante na composição do espaço causando sensações e efeitos psicológicos nos moradores. Desta forma, colorir o teto da sua casa é uma boa dica para fugir da monotonia e dar um ar mais descolado sem gastar muito.

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Vinícius Alberto Morais é Designer de Interiores capixaba, gosta de abusar de cores e produz design contemporâneo na ilha de Vitória e no continente próximo. É vencedor do XII Estudos de Banheiro Deca, do Prêmio ABD Novos Talentos e ganhou, junto com sua sócia Katherline Torezani, dois prêmios na Casa Cor ES 2011, o de projeto mais original e o de projeto mais ousado, com o ambiente da Garagem. Contato: pedireitoduplo.blogspot.com
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Gostarão da novidade pessoal? Agora o Vinícius vai dar sempre um pulinho por aqui e deixar dicas incríveis como essa pra vocês. Afinal, esse blog tem que ser luxo pra combinar com meus leitores idem. Entra no blog dele pra conhecer melhor. Tem inspiração de sobra por lá. Adoro! Beijos beijos, Vivi.