Eu já tive alguns sonhos na vida que, felizmente, consegui realizar. Para ser justa, muitos aliás. Um deles era fazer uma viagem longa pela California que me permitisse conhecer boa parte do estado. Sonhei, planejei, elaborei um roteiro que segui à risca. E hoje revendo tudo que passei por lá percebo que não faltou nada do que tinha programado, muito pelo contrário, coisas de sobra me surpreenderam pelo caminho, inclusive a descoberta de novos amigos.

Quando parti de carro de São Francisco com destino a Los Angeles, uma de minhas paradas, na cidade de Santa Bárbara, foi particularmente especial. Como se não bastasse a graça do lugar, ainda conheci a bela casa de um casal de amigos que me ofereceu muito mais do que pouso por algumas noites. Me ofereceu “paz”. É só você observar o lugar onde eles moram pra entender um pouco dessa paz. Um apêzinho tipo casa, baixinho, com paredes cinza-claro que combinam perfeitamente com os azuis e verdes que colorem a cidade. Todos os detalhes existentes nesse lar parecem dizer baixinho sinta-se em casa, e uma sensação de abraço toma conta de quem chega pela primeira vez.

Esse casal de amigos e seu recanto de paz, me receberam tão bem e com tanto carinho que me inspiraram a escrever e a refletir sobre a extrema beleza que faz da simplicidade o bem mais valioso que se possa desejar.

Foram poucos dias em Santa Bárbara. Mas foram muitas as lembranças que vieram de lá. Lembranças regadas a cerveja gelada, reggae music e boas gargalhadas. É, Lulu Santos tem toda razão. Na California é diferente, irmão. É muito mais do que um sonho…

…that’s what i’m talking about.

Um post em forma de muito obrigada.
Saudades do que já passou…

Perguntinha difícil essa, né não? Se você pensar nesse segundo na sua casa você saberia o que me responder? Tá certo, a resposta não vem de imediato, mas com um pouco de treino talvez você possa falar sobre suas influências. Aí sim você pode me responder, por exemplo, me contando sobre a sua mesa pé palito, sua luminária de bambu ou o espelho provençal que você mesma pintou e por ai vai…Opa! Como é que é? Pé palito, bambu e provençal na mesma frase? Alguma coisa não tá casando muito bem nessa estória toda. Ou não, como diria nosso polêmico Caetano. O fato é que o nosso estilo às vezes não é coisa lá muito bem definida e o caldeirão de referências bomba adoidado.
Se me perguntassem qual é o meu estilo, também não saberia responder, ou diria algo como eclético. Mas será que isso é um estilo? Na verdade isso é o que menos importa pra mim, contanto que eu tenha por perto, móveis e objetos que contam um pouco de mim, mesmo que eles não combinem at all. Além do mais, design hoje é coisa acessível (vide as grandes redes varejistas de decoração), e já podemos encher nossas casas de coisas legais e que refletem nossa identidade, sem necessariamente decretarmos falência por causa disso.
Esse papo todo foi pra fazer você refletir um pouco sobre o que escolhe pra colocar dentro de casa, se achar que isso é importante, é claro. Digo isso, por que tem gente que sai comprando mil coisas ao mesmo tempo, com a sensação de que fica sempre faltando alguma coisa. Mas às vezes o que falta mesmo é critério.
Vi umas fotos no site da Tok & Stok esse dias e me inspirei pra falar no assunto. Não que ter um estilo definido na decoração se limite aos exemplos que vou dar. Mas pra quem tá querendo se achar no meio de tanta referência, já é um bom começo.
Então me diga: Qual estilo faz mais o seu estilo?
Contemporâneo/Clean/atual?
Rústico/Casa de fazenda/Regional?
Modernoso/Hype/Caleidoscópico?
Romântico/Provençal/Casinha de boneca?
Vintage/Cult/Retrô?
Me conta o estilo que mais combina com você? Fiquei curiosa.
Fotos do catálogo Tok & Stok
Olho clínico. Móveis de brechó comprados em boas oportunidades. Ideias a mil. Imaginou isso tudo junto? Então você vai captar rapidinho do que Ivana Curi é capaz. Ainda mais se souber que ela mistura trabalhos na área de estilismo, design de jóias, cenografia de moda e criação de objetos. Esta é a síntese dos muitos caminhos da “multimídia” Ivana.Nascida em Minas Gerais com genuína alma carioca, moradora de Santa Teresa e filha do artista Ivon Curi, Ivana é fascinada por materiais e suas possibilidades e adora “experimentar“ tecnologias, unindo função e beleza em seus projetos.

Atualmente com foco na repaginação de mobiliário de época por meio de técnicas diferenciadas e uso de materiais alternativos, têm (re)decorado residências, onde o tempo e o orçamento são reduzidos. E o seu caso?

Se a resposta for sim, olha o que ela tem pra te dizer: “Desenhar coisas novas é muito bom, mas existe no mobiliário de época uma proporção tão bacana e elegante que deveria ser respeitada e admirada, assim prefiro aplicar as novas tecnologias para recuperar e preservar o que já existe.” Concordo em gênero, número e grau, Ivana!

Confira:

O arranjo de folhas do móvel decô partiu de uma planta que estava com praga. O desenho da praga era tão lindo que Ivana escaneou e as reproduziu para fazer essa estampa localizada. Laminados de madeira foram usados para dar base a impressão digital.

 

Poltronas reformadas e estofadas com tecidos jacquard variados que receberam stencil de flores e grafismos. O encosto reproduz dois casais de noivos no dia de seus casamentos por meio de impressão digital.

 

Esq: O espelho é na verdade a imagem de uma janela velha recortada e aplicada sobre ele. Quase uma obra de arte!
Dir: O móvel Café é o xodó da criativa. A prancha central do móvel tem detalhes que ninguém mais encontra por aí. Um verdadeiro achado! Para decorar a peça, Ivana usou imagens de um livro que adora sobre café. Os puxadores são uma atração a parte. Pontiagudos e modernosos foram escolhidos justamente para causar estranheza e quebrar o clima casinha da peça.

 

Esq: O cabideiro-espelho mistura funcionalidade em dose dupla. Unidos num módulo autoportante, permite a troca de roupa e a olhadinha final no mesmo lugar. Genial!
Dir: A arara veio da necessidade de aliar simplicidade, autonomia e elegância na hora de expor coleções. É toda de encaixe, é leve e bonita o bastante para freqüentar qualquer feira de moda ou quarto descolado.

 

Pôsteres criados para um evento de moda onde Ivana ousou e fez sátira sobre as expressões mais usadas no meio. O que estampa a “identidade da Barbie” do início do post também faz parte da coleção. Fashion no último!

O móvel “Pretinho básico” foi reformado, pintado e ganhou espelhos laterais, pois havia um rebaixo que pedia isso. Na parte central, uma renda feita em recorte eletrônico foi feita no espelho somando charme a peça. O gran finale foram os puxadores que são bolas de louça que ela mandou furar.

Curtiu o trabalho da Ivana? Então chama pra tomar um café na sua casa e apresenta a ela aquele seu móvel que já teve dias de glória. Tenho certeza que depois de conhecer Ivana Curi, ele nunca mais será o mesmo.Tem mais Ivana por aqui.

Mosaico de fotos em formato de coração no melhor estilo “O amor é lindo”.

Porta-retrato é um objeto de decoração controverso. Uns amam, outros odeiam. Uns tem uma coleção enorme exposta na sala e outros acham que foto de família é coisa pra ficar na área íntima e olhe lá. Eu particularmente não sou muito adepta a decorar com as minhas fotografias não. Sei lá porque, apesar de amar clicar e ser clicada. Além disso, minhas fotos pessoais são muitas, então eleger a que vai ter mais destaque seria outro problema. Daí ficam onde estão, armazenadas em 547 mil CDs.

Pra quem quer correr do porta-retrato convencional e precisa de “soluções” diferentes, seguem alguns exemplos que você mesmo pode fazer para expor suas lembranças e ao mesmo tempo fugir do lugar comum. Olha o passarinho!

Varalzinho de fotos que você pode fazer com papel estampado ou outro material divertido no lugar da moldura. Fica fofo e cheio de personalidade.
Fotos antigas em tom sépia ficam lindas em composições que usam diferentes rendas coladas no passepartout. Se as molduras forem brancas o clima provençal está garantido.
Experimente reimprimir suas fotos acrescentando imagens ou textos a elas. Suas recordações vão ganhar ainda mais emoção.
Minha ideia favorita. Desenhar à mão livre as suas próprias molduras direto na parede. Se ficar meio tortinho, não tem problema. Aí é que fica bacana!
Quando vejo algumas casas internet afora, eu digo baixinho pra mim mesma: por que não sou eu a dona dessa maravilha, meu Deus? Essa invejinha branca dura apenas alguns segundos e nem poderia durar mais, porque se não meu cafofo ficaria com ciúmes.

Um exemplo disso que eu tô dizendo é esse apartamento dos anos 1960 em São Paulo, que foi todo reformado pelo arquiteto Gustavo Calazans e mistura rusticidade e muita elegância em 185m² muito bem aproveitados.

Amei cada detalhe, sem exceção, mas elegi meus 7 favoritos que fazem toda a diferença.

1 – Cozinha integrada à sala de estar (Ainda derrubo parede e faço aqui de casa)
2 – Poltronas Diz do designer Sergio Rodrigues (Simplesmente lindas)

3 – Mix de pilar de concreto + paredes de tijolo aparente (Os dois juntos na mesma parede é covardia! Amo!)

4 – Bancada no comprimento da parede (Lindo e super funcional)
5 – Banquinho estilo Luiz XV renovado com tecido xadrez (O clássico que deixa o ambiente moderno)


6 – Mesa de madeira de demolição feita com uma antiga porta de templo (O futuro na decoração é ter presente um pouco do passado)

7 – Cadeiras Saarinen (Design que traz modernidade em contraponto com a rusticidade da mesa)

Poderia continuar com o oitavo, nono, décimo….acertos, mas vocês entenderam, né? O que eu quero dizer é que eu moraria fácil nessa casa. Esse realmente seria o maior acerto de todos. Concordam?

Fotos do site de decoração do UOL

A torcida do flamengo sabe (mas talvez você não saiba) que a Pantone é a empresa mais famosa do mundo quando o assunto é cor. Inaugurada em 1963, criou um sistema inovador de identificação e combinação de cores que é a base dos produtos e serviços da empresa. A Pantone fornece tabelas de cores voltadas para a indústria de impressão, têxtil, entre outras, com o objetivo de ajudar os profissionais dessas áreas a controlar o uso de cores e, de quebra, ainda aproveita a fama pra lançar produtos da marca como os que você vê aqui.
Explorando as cores e suas possibilidades, a Pantone criou até um hotel próprio, você sabia?
Pois a cidade de Bruxelas na Bélgica te dá a oportunidade de desfrutar de um hotel onde você pode escolher o quarto de acordo com seu humor ou estado de espírito. Se você é nervosinho, melhor reservar um quarto em tons de azul claro. Já os mais calientes, podem se jogar no de tons vermelhos.


A decoração do hotel tem como base o branco que serve para destacar as cores, afinal de contas tudo gira em torno delas. As suítes possuem fotos e painéis decorativos, poucos móveis e muitos detalhes vibrantes, que garantem uma experiência única.

Criar um hotel onde as pessoas possam “viver” o produto foi a grande sacada da Pantone, e mesmo que o hotel não seja exatamente para o consumidor final e mais voltado para empresas e profissionais, o conceito da marca está ali firme e forte.

Eu como sou diretora de arte e trabalho com as tabelas Pantone há milênios, fiquei amarradona de estar um dia nesse hotel. Fato que me hospedaria no tal quarto de tons de vermelho (Rs). E você? Qual escolheria?

Todo sábado pra mim é religioso. Acordo, boto uma roupinha leve, um sapatinho baixo e vou bater perna na feira livre que rola perto da minha casa. Entre um pastel de queijo e uma água de coco (odeio caldo de cana), o que chama a atenção na feira, além de suas cores e perfumes por supuesto, é a quantidade de lixo que sobra no final.

Pensando em minimizar a quantidade de material descartado, já que a vibe do momento é ser sustentável, designers antenados e bem intencionados se ligaram nisso e passaram a transformar “lixo” em objeto de desejo na decoração. Caixotes, engradados plásticos e páletes servem de inspiração na hora de decorar, seja no reaproveitamento desses materiais ou na simples reprodução de seus desenhos originais. Nada mais cool.

 

Projeto de design que promove a releitura dos “caixotes de feira” sem perder a essência de seu formato original. O caixote original feito de ripas de madeira pínus dá lugar a uma estrutura sólida, feita de MDF laqueada. Veja mais aqui.

 

Outro projeto interessante é a reciclagem de páletes, transformando-os em mesas de café pintadas a mão. Saiba mais sobre estas criações nesse blog aqui.
Cadeira, poltrona e luminária produzidos em parceria pelo Studio Mamma e o designer Mauricio Arruda. A madeira é de embalagens que iriam para o lixo e é fornecida pela Ceagesp. Mais aqui.
Bufê da linha José, exposta no Museu da Casa Brasileira. Os móveis de madeira de demolição possuem cestos plásticos empilháveis no lugar das gavetas. Mais aqui.

Então pessoal, da próxima vez que você for à feira, fique ligado! O detalhe hype que está faltando na sua casa pode estar lá. Mas precisamente na hora da xêpa.

Colaboração do grande amigo e ilustrador Cisco Diz

Nota: Esse post já estava pronto antes da terrível tragédia que o Japão enfrenta. Publicá-lo hoje é a minha forma de prestar uma homenagem ao povo japonês e a todas as vítimas dessa catástrofe.
 Existe um costume nacional no Japão chamado Koinobori que é o de erguer mastros enfeitados com carpas de papel e tecido, uma tradição bem antiga que acontece desde 1603. Essa é a forma de comemorar o dia das crianças, particularmente, o dia dos meninos, que no Japão cai no dia 5 de maio. As carpas coloridas para os japoneses representam “jóias vivas que nadam”. Suas cores e estampas são resultantes de sucessivos cruzamentos e mutações genéticas planejadas por seus criadores. São peixes calmos que sobrevivem somente em águas límpidas e vivem cerca de 70 anos (há registro do recorde de 226 anos!). Esses peixes representam o desejo da família de que seus filhos cresçam fortes e vigorosos. Diz-se que as carpas podem nadar contra a correnteza e saltar cachoeira na época da desova e, por isso, simbolizam perseverança e valentia. Simbolizam também beleza, tenacidade, força, obstinação, vigor físico e mental.
O Koinobori é hasteado em todo canto do Japão para que os meninos cresçam com as qualidades de uma carpa. Há uma padronização de cor, referente a cada membro da família. O pai seria a carpa negra. O filho mais velho, a carpa vermelha. O segundo filho, a carpa azul. O terceiro, verde. O quarto, violeta. Depois de hasteadas para o dia das crianças, as carpas permanecem ao vento por algumas semanas, depois são recolhidas, limpas e guardadas com muito carinho para o próximo ano.
Por que te conto isso tudo? Porque mesmo tendo conhecido há pouco tempo sobre essa bela tradição e do que as carpas representam para os japoneses, já tinha grande admiração por suas cores e seus desenhos e acabei comprando uma pra mim quando passeava pelo bairro da Liberdade em São Paulo.Resumo da ópera: trouxe um pouco das cores dessa comemoração japonesa pra minha casa, só que em forma de almofada, que eu mesma enchi e costurei. Ao contrário do Koinobori japonês, na minha casa todo dia é “dia das meninas” e a minha carpa fica nadando (decorando) pra lá e pra cá o ano todo.

Se você gostou, arigatô!

> Ao Japão, perseverança e valentia!